Sendo
julho 29, 2017[...] somos mutantes, mulheres em transição. Como nós, não houve outras antes. E as que vierem depois serão diferentes. Tivemos a coragem de começar um processo de mudança. E porque ainda está em curso, estamos tendo que ter a coragem de pagar por ele...Saímos de um estado que, embora insatisfatório, embora esmagador, estava estruturado sobre certezas. Isso foi ontem. Até então não duvidávamos do seu papel. Nem homens, nem muito menos mulheres.... Mas essa certeza nós a quebramos para poder sair do cercado.
(Mulher daqui pra frente, Marina COLASANTI,
1981)
Tudo começou com um sim. E começou num café. Sim, sim, sim,
somos terrivelmente clichês. O fato é que: somos inquietas e insatisfeitas.
Sabe aquele poema do Manoel de Barros da namorada que via errado? Somos um
pouco como ela, nos encontramos diariamente com nossas contradições, vemos o
mundo e sentimos que ele precisa e pode ser mudado. Às vezes ensinamos, mas em
geral aprendemos.
Nosso mundo é raso,
nossas expectativas altas e inconfessáveis. Nossa ambição é compartilhar aqui o
nosso olhar sobre o mundo, na esperança de que outros se encontrem e se sintam
em casa, e que um dia falem sobre uma frase ou trecho ou dica que leu neste
Mundo Raso.
O que nos propomos é uma luta inglória: escrever na
internet. Nesse momento, bilhões de pessoas fazem o mesmo. Algumas bem-sucedidas
e a grande maioria fracassada. Não sabemos como a rasidade será recebida, e
ainda assim nos arriscamos, nos expomos. Queremos ser percebidas, mas sem nunca
chamar atenção.
Isso aqui é um desafio coletivo. Ambas queremos organizar
nossos pensamentos na frente de um notebook e compartilhar. Ambas temos medo e
ainda assim, apesar do medo, nos jogamos.
Nos revezaremos nos papéis de Dom Quixote e Sancho Pança. Vamos
nos aventurar mundo afora em busca de aventuras, afetos, e toda sorte de coisas
que seguem a nobre cavalaria.
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